"Fairy tales don’t tell children that dragons exist. Children already know that dragons exist. Fairy tales tell children that dragons can be killed." G.K. Chesterton

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Desoladamente chorando...(parte 1)



Há dias que choro e outros que me escondo, há dias (poucos) que me invento.
Tem dias que penso que irei ficar bem, tem dias que simplesmente não sei.
De tudo e de todos (pelo menos até agora) foste a maior ilusão/desilusão. Passaram-se 3 anos e até hoje ainda não sei definir que volta deste na minha vida.
Mostraste-me que conseguia ser e ter aquilo que nunca pensei ter paciência para viver. Demonstraste-me o que é ter um "colchão" para voltar, um pilar para me apoiar. Fazias-me aguentar o mundo e os extraterrestres a invadir a Terra. Deste-me sorrisos e muitos abraços quando era mesmo só isso que precisava e mais ninguém percebia.
Usas-te e abusas-te da tua experiência para fazeres-me perceber que às vezes é necessário relativizar.
Com o teu jeito extra-romântico e mimado, habituaste-me (eu...a despistada) às rotinas do "bom dia, amor", "boa noite, amo-te tanto, tanto", "bom dia, com pequeno almoço na cama", "olá amor 'abracinho', como correu o turno?". Viajamos, conhecemos sítios e pessoas e acima de tudo fomos conhecendo-nos a nós.
Fizemos planos e tivemos conversas sobre todos os temas, exceto um. Aquele que sem dúvida mais importava.
Colocas-te o teu melhor fato de cordeiro, entras-te na minha vida, como o melhor que ela já teve e nunca pensei existir. Para depois o tirares quase tão rápido como tiraste-me o colchão, o pilar, o tapete e tudo o que de bom tínhamos vivido.
Não podia acreditar, não era verdade. Ainda hoje, não consigo acreditar.
Falaste que já não amavas e que já nada havia a fazer. Tinhas em ti toda a certeza, como se de um ato planeado com tempo se tratasse. E foi. Aguardas-te calado durante 2 meses, até ao momento em que não te conseguiste calar mais. E então falas-te, a 21 de Dezembro, o que até esse momento nunca tínhamos falado. Acabou. Foi com todas as letras e todas elas sentidas.
Acabas-te comigo. Não foi com a relação, essas acabam e voltam e nós vamos vivendo. Acabas-te foi comigo. Roubaste-me tudo, senti-me despida, fragilizada, desrespeitada. Senti que alguém como tu, conhecendo-me como conhecias, sabendo a importância que tiveste em mim, não o poderias ter feito assim. Foi horrível e foste terrível.
Presenciar a tua tranquilidade enquanto vias o meu mundo desmoronar, sem eu saber o que tinha feito, o que tinha acontecido. Até porque tu também não sabias, apenas estavas certo que tinha acabado.
CHOREI..., chorei como nunca pensei que pudesse chorar. Ainda hoje, quando passo pela paragem de autocarro junto ao Lidel, lembro-me desse dia, era 23 de Dezembro, quando fui a tua casa (que dizias nossa - percebi a 21 de Dezembro que nunca foi) buscar uns trapos e o gato (aie...o gato...ainda bem que ele está na minha vida) para ir passar o Natal que eu não queria que chegasse. Que loucura, eu, não querer que fosse Natal, apenas para nunca no futuro associar isto a melhor época do ano. Vi-te nesse dia, 23 de Dezembro, já tinha comprado as tuas prendas (estavam em casa dos teus pais, como sempre, para fazer surpresa) e tu entregas-te a minha, porque acabas-te comigo, mas era Natal e querias dar-me uma prenda.
Esqueci-me de como era o som do meu riso, esqueci-me de rir ou sorrir, fui culpada do pior ambiente natalício na casa da minha irmã. Mas a família está sempre lá, acreditavam em mim e sabiam mais do que ninguém, que eu não merecia o que tinhas feito. Do jeito meio destrambelhado da minha família, lá tentaram fazer-me sorrir e fizeram-me as vontades todas. O  Natal passou, comigo sentada no sofá, com os olhos postos na televisão a pensar no vazio que sentia por dentro, sem antes receber uma mensagem tua a saber se tinha gostado do presente, já que tu tinhas adorado os teus.
Levantei-me do meu estado catatónico, apenas para alcançar um objetivo, criar um espaço só meu. Um espaço onde pudesse chorar, esconder, viajar nos meus pensamento, no meu interior a tentar redescobrir-me. E consegui, eu tenho-o. Um espaço só meu, onde posso fazer isso tudo, mas não o faço. Tenho uma agenda cheia que não me permite pensar/refletir no que aconteceu, aceitei o que aconteceu e tentei levar um dia de cada vez. Consigo, um dia de cada vez, sem pensar e psico-analisar, foi o único conselho que segui e foi o melhor de todos (realmente os conselhos dados pelos mais velhos são úteis).
A minha preocupação foi sempre, como/quando é que voltarei a sorrir!? Mas voltei, sem contar, num dia de uma agenda muito cheia, alguém fez-me rir. Obrigado a ela. Apareceram pessoas, reapareceram amigos, que estiveram sempre lá só à espera que eu gritasse por ajuda. E gritei.
Tudo acabou por entrar num registo que hoje eu adoro. Um registo que eu queria no passado e depois, por ti, deixou de ter importância.
Hoje estou/sou uma pessoa diferente, guardo em mim o que de bom aprendi contigo. Guardo em mim o meu eu, porque não quero mais que me fuja o chão/o colchão/a vontade de sorrir.
Hoje estou/sou uma pessoa diferente.